Agraciada Seja
Por Ana Paula Carvalho
Gosto de ler. Não tenho praticado com afinco, mas os momentos que tenho de leitura, por poucos que sejam, fazem toda diferença na forma como eu expresso minhas idéias e desejos.
Há muito tempo que a TV não me chama atenção. Pra ser sincera, nem sinto falta, não me serve mais. As bibliotecas reais e digitais acabam preenchendo esse espaço – particularmente, as reais são muito mais atraentes – e aí temos um monte de possibilidades de sermos mais sociáveis, intelectualizados e humanos, nos distanciando cada vez mais da submissão e do gesso, função essa que a TV de programação escancarada e medíocre exerce com maestria.

Mas a leitura, enquanto hábito, é uma opção muito particular. A gente não ensina ou ajuda ninguém a fazer isso. Quando muito, damos o exemplo. Não se obriga ninguém a ler, isso causa um sentimento horrível e esse verbo, tão maravilhoso, torna-se maldito. Ainda bem que a Ana Maria Machado, escritora com mais de cem livros publicados, disse que “ninguém tem que ser obrigado a ler nada. Ler é um direito de cada cidadão, não um dever”.
Parte de si descobrir as mudanças nas referências e nas preferências de vida que a leitura dá e que, a partir daí, o olho brilha, a sede de conhecimento torna-se insaciável, a inspiração passa a vir, principalmente, pelo livro. Esse volume transportável muda a vida das pessoas, e deve ser um instrumento de prazer. Sonho com o dia em que as escolas consigam, de fato, voltarem o seu caminhar para a leitura com esse fim, e não somente pelo estudo formal da língua, ou análise do dígrafo e do encontro consonantal, até porque não dá pra sentir a delícia da literatura com isso. Daí a missão é fazer sentir a paixão, a sedução, ‘e por que não?’ a erotização da leitura, como costuma falar o Rubem Alves.
Forcei? Eu não. O bom é se entregar ao que só nos faz bem.
Dica:
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp
Não estou ouvindo música. :)
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